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Mastofauna do Cerrado

O bioma Cerrado é caracterizado por ser um mosaico de fitofisionomias desde formações campestres até formações florestais (Rizzini 1979, Oliveira-Filho & Ratter 2002). Esta variedade de ambientes acarreta uma grande diversidade de mamíferos, sendo esse bioma o terceiro em número de espécies, após a Amazônia e Floresta Atlântica (Marinho-Filho et al 2002), com 195 espécies de mamíferos distribuídas em 30 famílias e nove ordens, das quais 18 são endêmicas (MMA 2002). Os grupos mais diversos são os morcegos com 81 espécies e roedores com 51, sendo que 85% da mastofauna é composta por espécies que possuem menos de cinco quilos (Marinho-Filho et al 2002).

O baixo grau de endemismo observado na mastofauna do Cerrado tem sido atribuído às Matas de Galeria, que correspondem a apenas 5% da área total do Cerrado. Esta formação abriga cerca de 80% das espécies de mamíferos, os quais correspondem à 50% dos endemismos e 24% das espécies ameaçadas (Redford & Fonseca 1986; Marinho-Filho & Sazima 1998; Marinho-Filho & Gastal 2000).

Mesmo considerando a importância das matas de galeria na distribuição dos mamíferos dentro do bioma, a maioria das espécies ocorrem em mais de uma formação vegetacional. Nas formações abertas e florestais encontram-se 54% das espécies, sendo 16,5% exclusivas de formações abertas e 29% de formações florestais (Marinho-Filho et al 2002).

Baseado na lista de espécies ameaçadas de extinção divulgada pelo MMA (2006), para o bioma Cerrado estão listadas 20 espécies de mamíferos, sendo 16 classificadas como vulneráveis, uma em perigo e três como criticamente em perigo. Em contraste com o grande número de espécies de pequeno porte que ocorrem no Cerrado, a maioria das espécies ameaçadas são as de médio ou grande porte, refletindo que o problema da conservação da mastofauna neste bioma está relacionada, principalmente, com a destruição de grandes extensões de vegetação natural para o cultivo de monocultoras e pecuária extensiva.

Bibliografia:
Marinho Filho, J. ; Sazima, I. 1998. Brazilian bats and conservation biology: A first survey. In: Kunz, T.H. & Racey, P.A. (EDS). (Org.). Bat Biology and Conservation. Washington: Smithsonisn Institution Press, p. 282-294.
Marinho Filho, J. ; Gastal, M. L, 2000. Mamíferos das matas ciliares do Brasil Central In: Rodrigues, R.R. (ORG). Matas ciliares: Estado atual do conhecimento. 1a. ed. São Paulo, SP: EDUSP/FAPESP, p. 209-221.
Marinho Filho, J.; Rodrigues, F. H. G. ; Juarez, K. M, 2002. The Cerrado mammals: diversity, ecology and natural history.. In: Paulo Sérgio Oliveira; Robert J. Marquis. (Org.) The Cerrados of Brazil: Ecology and natural history of a neotropical savanna. New York: Columbia University Press, p. 266-284.
MMA, 2002 Biodiversidade brasileira. Avaliação e identificação de áreas e ações prioritárias para conservação, utilização sustentável e repartição de benefícios da biodiversidade brasileira. Ministério do Meio Ambiente/ Secretaria de Biodiversidade e Florestas. Brasília.
MMA, 2006. Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção http://www.mma.gov.br/port/sbf/fauna/index.cfm
Oliveira-Filho, A. T. & Ratter, J.A., 2002. Vegetation physiognomies and woody flora of the Cerrado biome. In:Oliveira, P.S. & Marquis, R.J. (Org.) The Cerrados of Brazil: Ecology and natural history of a neotropical savanna. New York: Columbia University Press, pp.91-120.
Redford K.H. & Fonseca G.A.B, 1986. The role of gallery forest in zoogeography of Cerrado`s non-volant mammalian fauna, Biotropica18(2): 126-135
Rizzini, C.T, 1979. Tratado de fitogeografia do Brasil. Aspectos sociológicos e florísticas. 2o volume. EDUSP/HUCITEC. São Paulo. SP

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