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A Geodiversidade do Cerrado

Por Tadeu Veiga, geólogo (tadeu@geos.com.br)

A geodiversidade expressa as particularidades do meio físico, abrangendo rochas, relevo, clima, solos e águas, subterrâneas e superficiais. Tais atributos resultam da atuação cumulativa de processos geológicos múltiplos. Por sua vez, condicionam a paisagem e propiciam a diversidade biológica e cultural nela desenvolvidas, em permanente interação ao longo da evolução do planeta (Veiga, 1999 e 2002).
O conhecimento da geodiversidade é essencial à abordagem criteriosa de qualquer área ou região: por preceder a biodiversidade, ajuda a entender a dinâmica ambiental vigente. Além disso, o subsolo pode conter recursos minerais, hídricos e energéticos, cujo aproveitamento precisa ser devidamente equacionado, para não comprometer a própria biodiversidade e a qualidade de vida dos seus habitantes.
É o caso do Cerrado, bioma que ocupa o Planalto Central Brasileiro e se estende para regiões vizinhas. Abrange terrenos com grande diversidade geológica, expostos a prolongado intemperismo tropical. Predominam extensos planaltos sob erosão ativa.
Vigora clima tropical, com duas estações bem marcadas quanto ao regime pluviométrico: seca e chuvosa. Ocorrem solos lixiviados, pobres em nutrientes e com alto conteúdo de Fe e Al. Resultam coberturas ralas, adaptadas aos solos ácidos e aos contrastes do clima, distribuídas em três grandes domínios geo-ambientais:

  1. Terrenos cristalinos proterozóicos e arqueanos: formados por rochas ígneas (ex. granitos) e metamórficas variadas (xistos, gnaisses, quartzitos, etc.), com mais de 570 milhões de anos. Sustentam planaltos dissecados e complexos montanhosos, caracterizados por terrenos impermeáveis e aqüíferos fraturados. Prevalece ocupação tradicional rarefeita, traduzida por pecuária extensiva. Exemplos de unidades de conservação: Parque Nacional de Brasília – DF, Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – GO.
  2. Coberturas fanerozóicas: compreendem sedimentos (ex. arenitos) e rochas vulcânicas associadas (basaltos), com idades entre 570 e 65 milhões de anos. Formam extensas chapadas arenosas, entremeadas a terras roxas. Os arenitos constituem aqüíferos livres de grande porte. Encontram-se sob ocupação agrícola intensiva (agricultura irrigada para produção de grãos), a exemplo das chapadas instaladas sobre os arenitos Parecis, Urucuia, Parnaíba, Bauru e Botucatu. Exemplos de unidades de conservação: Parque Nacional das Emas – GO, Parque Nacional Grande Sertão Veredas – MG/BA.
  3. Planícies cenozóicas: sedimentos quaternários e terciários (areias e argilas com menos de 65 milhões de anos), acumulados em espessas pilhas condicionadas a zonas deprimidas. Constituem extensas áreas úmidas dinâmicas e frágeis, frequentemente ameaçadas por grandes projetos, salientando-se as planícies do Bananal e do Pantanal Mato-grossense. Exemplos de unidades de conservação: Parque Nacional do Araguaia – TO, Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense – MT.
Substrato geológico do Cerrado e Pantanal (modificado de IBGE, 1990)
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